Jogo pesado no tanquecom o etanol brasileiro
Matéria escrita por André Siqueira - Carta Capital - a melhor revista do Brasil
Acostumado a lidar com o tema da fome no próprio País, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deparou-se com o chefe de um Estado que tem sede, muita sede. O líquido precioso, aos olhos de George W. Bush, é o combustível capaz de garantir o abastecimento futuro dos motores da maior nação capitalista do mundo. Só o Brasil conseguiu, até agora, substituir em larga escala a gasolina pelo etanol, um tipo de álcool que representa uma das mais promissoras fontes renováveis de energia. Isso explica, à primeira vista, o porquê do súbito interesse dos Estados Unidos por um parceiro comercial que representa mero 1,5% de suas compras externas.
O que ainda não ficou claro, apesar de toda a discussão que cerca a visita de Bush, entre os dias 8 e 9, é o que o presidente americano tem a oferecer aos vizinhos de continente.
Há quem avalie que o País só tem algo a ganhar se o acesso do álcool obtido à base de cana-de-açúcar ao mercado norte-americano, onde o produto é feito a partir do milho, for facilitado. Trata-se de uma meia-verdade. De fato, a redução dos impostos exigidos quando o produto entra no mercado americano, o principal pleito brasileiro, permitiria um aumento das exportações. Mas a produção brasileira está longe de ser grande o bastante para saciar a demanda potencial dos EUA por etanol, e o que dirá as necessidades do restante do mundo.
Parcerias na área de desenvolvimento de novos processos para fabricar biocombustíveis – com o uso de resíduos vegetais, por exemplo – podem ser até mais bem-vindas do que um corte nas tarifas. Os estudos representam a diferença entre criar mais vagas para cientistas e pesquisadores ou apenas aumentar o recrutamento de cortadores de cana-de-açúcar – a parcela menos qualificada dos trabalhadores da cadeia de produção. Os resultados desses esforços podem permitir aproveitar melhor as vantagens naturais só encontradas abaixo da linha do equador. (Clique AQUI para ler a matéria completa).
0 comentários:
Postar um comentário