É importante ter em conta: a redução do grau de investimento não significa nada, diz Lula

Descobri que muito dinheiro na mão de poucos significa concentração de renda. Pouco dinheiro na mão de muitos é distribuição de renda", assim Lula abriu o 3º Congresso Internacional de Responsabilidade Social, nesta quinta-feira (10), em Buenos Aires, Argentina, do qual participou pela segunda vez. Em 2013, o ex-presidente participou também da primeira edição do encontro.
Em seu discurso, Lula falou sobre a priorização das políticas sociais durante seu governo. "Fizemos com que a política social fosse um ato de responsabilidade do governo. Eu não tinha uma tese para governar, tinha um projeto: melhorar a vida dos mais humildes". E enfatizou que foi um conjunto de politicas sociais que “elevou o padrão de vida dos brasileiros”.
O ex-presidente se emocionou ao falar sobre a igualdade social que buscou em seu governo, “acabou o tempo que o filho do pedreiro tinha que ser pedreiro. Queremos ter o direito de colocar a filha da empregada doméstica na mesma escola da filha da patroa”, e completou: “a obra não está acabada. Está apenas começando, pois não pudemos resolver os desmandos de 500 anos”.
Sobre o investimento em educação, o ex-presidente afirmou que "não tem investimento que traga retorno mais imediato que o investimento em educação". Lula lembrou que desde 2003 já são mais de um milhão e meio de jovens nas universidades. E observou que: “Argentina e Brasil serão muito mais ricos quando estivermos importando soja e exportando inteligência, exportando conhecimento”.
A retomada do crescimento econômico também foi citada pelo ex-presidente, que reforçou a relação bilateral: "Não existe hipótese para Brasil e Argentina crescerem se eles não forem cada vez mais parceiros". Lula disse ainda que se “Brasil e Argentina derem certo a América do Sul inteira vai dar certo, temos essa responsabilidade”.
A crise econômica mundial também foi citada por Lula, que considera importante perceber que a “América do Sul não pode temer a crise. Se tomarmos atitudes erradas, corremos o risco de perder o que conquistamos". O ex-presidente reforçou que é uma crise mundial e que "quando a gente está em crise não é hora de ficar desesperado, é hora de pensar no que não foi feito ainda".
Lula aproveitou a oportunidade para mandar uma mensagem ao presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e para o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, para que “sentem em uma mesa e negociem a paz”. E salientou: “a melhor solução para Colômbia e Venezuela é encontrar uma solução amigável".
Ajuste Fiscal no Brasil
O site do jornal Folha de S. Paulo publicou na tarde desta quinta-feira (10) matéria em que o ex-presidente Lula afirma que ajuste fiscal significa corte de salários e de empregos. A matéria assinada pela repórter Mariana Carneiro, de Buenos Aires, diz que Lula demonstrou desacordo com as medidas de ajuste fiscal em um momento em que o governo de Dilma Rousseff anuncia corte de gastos e estuda aumentar impostos para conter a crise econômica.
“Me assusta muito a visão de todos aqueles que, ao primeiro sintoma de uma crise, começam a falar de ajuste. Ajuste significa corte de salários, corte de emprego, significa voltar ao patamar de miséria que você estava (antes) para poder recuperar a economia. A mim, não agrada”, afirmou Lula durante seminário em Buenos Aires. "Todas as experiências de ajuste que foram feitas levaram os países à perda de postos de trabalho e ao empobrecimento da população", acrescentou.
Para Lula, de acordo com a matéria do jornal, os programas de ajuste só fizeram aumentar as dívidas dos países que tentaram cortar gastos, e usou como exemplo o que, segundo ele, ocorreu na Europa e nos Estados Unidos. "Os países não conseguiram resolver a crise deles até agora, passados sete anos. Em todos os países que passaram por ajuste, a sua dívida pública cresceu. A Grécia tinha dívida de 84% e hoje é 186% [do PIB]", disse Lula.
Lula disse que o bom funcionamento da economia e o aumento do crédito, indispensável ao crescimento, dependem da confiança, e que ele percebeu isso assim que chegou ao governo. "A economia não poderia funcionar sem uma política de, primeiro, muita previsibilidade. Porque em economia não existe mágica, existe uma palavra chamada confiança e credibilidade. E se ela existir entre os governantes e os governados, tudo fica mais fácil".
Nota de crédito
Para o ex-presidente, perda do selo de bom pagador “não significa nada”. "É importante que a gente tenha em conta que o fato de ter diminuído o grau de investimento não significa nada. Significa que apenas a gente não pode fazer o que eles querem. A gente tem que fazer o que a gente quer", afirmou Lula.
(Com informações do Instituto Lula e da Folha de S. Paulo)

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