Luizianne diz que partido sofre por erros e revela incômodo

A deputada afirma que o PT tem sido prejudicado por contradições e alega enfrentar desrespeito dentro do partido.
Filiada ao PT há 26 anos, a deputada federal Luizianne Lins reconhece que o partido sofre hoje com os efeitos provocados por contradições desde que chegou ao poder e revela incômodo com a direção que a sigla tem seguido. Embora negue pretensão de deixar a agremiação, ela diz que anteriormente descartava a hipótese de forma mais sólida, porém, alega ainda acreditar na legenda como melhor instrumento de transformação.
"A sociedade cobrava do PT muito mais do que qualquer outro partido. Daí a gente não podia ter errado em alguns pontos chave que para nós foi muito ruim", pontua a deputada.
Luizianne Lins destaca que, quando o PT chegou ao Governo Federal, o partido passou a enfrentar contradições que até então não tinha vivenciado, além de ser prejudicado por setores que não hesitaram em assumir práticas de corrupção e atrair representantes sem nenhuma identificação com a sigla.
"No momento em que o PT vira governo, o que você tem? Você tem muita gente vindo para o PT, porque o PT é governo. Os governistas de plantão, que a gente ainda não tinha experimentado. Depois tem o segundo momento que é o de estar no governo e ter as contradições que isso traz. É a contradição da máquina pública. São as contradições da dita corrupção endêmica", lista a deputada federal.
Ao ser indagada se o fenômeno se repetiu no Ceará, Luizianne Lins diz que o processo aconteceu em todo o País. "Acho que talvez agora, de uma certa forma, o PT esteja se depurando. Está se depurando o partido numa perspectiva de refundação que possa ter nos erros e no acertos a nossa referência", frisa.
O momento enfrentado pelo PT tem motivado diversos representantes a deixarem a agremiação e, segundo Luizianne Lins, alguns saem da legenda por decepção, outros por oportunismo, mas ainda há os que se sentem sem espaço.
A ex-prefeita de Fortaleza revela estar incomodada no PT ao afirmar que não recebe do próprio partido o tratamento mais adequado. "Existem pessoas dentro do próprio partido que não estão sendo honestas nas suas atitudes políticas com os companheiros que estão dentro do PT", acusa.
Cisão
Luizianne Lins reclama que, mesmo quando Cid e Ciro Gomes fazem críticas a ela, a Dilma ou ao PT, o partido no Estado não se posiciona. A parlamentar defende que o momento de dificuldade enfrentado pela agremiação exige maior união da sigla, mas é enfática ao afirmar que a cisão dentro da legenda tem atrapalhado esse objetivo.
"Num momento desse eu acho que o partido precisava estar junto se fortalecendo para saber como melhor a gente pode colaborar para que o partido saia dessa crise política que está posta", esclarece a parlamentar ao acrescentar aguardar reunião com o ex-presidente Lula para aprofundar o debate.
Questionada se a permanência depende da postura do partido em 2016, Luizianne Lins afirma que não atrela seu futuro a questões eleitorais, mas à capacidade do partido como instrumento transformador.
"Quando eu achar que esse instrumento está esgotado ou que esse instrumento não dialoga mais com a sociedade, aí é hora. Eu sou uma socialista convicta, eu sou uma militante marxista e, para isso, a gente vai atrás de instrumentos. E eu acho que o PT ainda está valendo como instrumento dessa luta", alega Luizianne Lins.
Ao analisar o governo da presidente Dilma Rousseff, a deputada Luizianne Lins faz diversas críticas à condução da política econômica e defende a saída do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, como alternativa. A parlamenta alega que o gestor tem desrespeitado a lógica petista.
Lógica
"Eu acho que se for para continuar fazendo o que ele está, é melhor sair. Ele está indo por um programa que desgasta e não dá efetividade. Essa lógica não é a nossa lógica", esclarece.
Luizianne Lins acrescenta que a tese é defendida por outros setores do PT. "Nesse ponto de vista tem um grupo significativo de deputados que têm se colocado de forma muito crítica e tem tentado dialogar o máximo possível com os ministros que estão à frente disso", cita.
A parlamentar reclama que o ajuste fiscal tem descaracterizado a lógica historicamente defendida pelo PT ao adotar uma linha de conduta ligada ao Fundo Monetário Internacional (FMI) . "Nós fugimos dessa fórmula quando o FMI dizia que nós tínhamos que cortar gastos. Na verdade o presidente Lula fez foi aumentar o número de ministérios (...) Então, a gente já contrariou isso. Ao invés de ficarmos mais dependentes, nós nos livramos do Fundo Monetário Internacional", lembra.
A deputada federal ainda diz que o ajuste fiscal tem penalizado quem tem menos e preservado quem tem mais.
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