Sobrevivente do Holocausto, Ben Abraham morre em São Paulo

Faleceu nesta sexta-feira, 9 de outubro, em São Paulo, o incansável divulgador da história do Holocausto Ben Abraham.
“Nos últimos anos, Ben Abraham esteve em todos os eventos comunitários de recordação das vítimas do Holocausto, devendo ser lembrados aqueles promovidos pela Conib, em várias cidades brasileiras. Deu palestras sobre o tema em todo o Brasil e também em outros países, como a Alemanha. Foi um extraordinário batalhador da causa da verdade. Já estamos sentindo sua falta”, declarou o presidente da Conib, Fernando Lottenberg.
Nascido na Polônia em 11 de Dezembro de 1924, Henry Nekrycz, que tomou o pseudônimo de Ben Abraham, foi escritor e jornalista. Naturalizado brasileiro em 1959, casou-se com Miriam Dvora Bryk, também sobrevivente da Shoá.
Passou pelos campos de Brauschweig, Watenstadt e Ravensbruck entre 1943 e 1945, e acabou confinado em Auschwitz, onde sua família foi dizimada. Entre 200 parentes, apenas ele e um primo sobreviveram. Após a derrota do nazismo, tomou como objetivo de vida contar à humanidade as perseguições, atrocidades e matanças instituídas por Adolf Hitler.
Por seu trabalho e pela publicação de 15 livros relacionados ao Holocausto, recebeu inúmeras homenagens, das quais se destacam a Chave de Ouro do Memorial Yad Vashem e a Medalha de Honra ao Mérito da Universidade de São Paulo. Foi presidente da Associação dos Sobreviventes do Holocausto (Sherit Hapleitá) no Brasil.
Na cerimônia de inauguração do Museu do Holocausto em Curitiba, em 2011, Ben Abraham relatou a terrível experiência de passar por campos de extermínio nazistas e agradeceu ao Brasil pela acolhida. Emocionada pelo depoimento do escritor, a então ministra da Secretaria dos Direitos Humanos, Maria do Rosário Nunes, afirmou que “é o País quem deve agradecer aos judeus, por sua contribuição nas mais diversas áreas e por aprender com eles a importância da memória”.
"Eu contava os dias, imaginava que seria libertado e assim passava o tempo, sofrendo com fome, sofrendo torturas, sofrendo toda espécie de discriminação. Na nossa cidade, Lodz, viviam antes da guerra 260 mil judeus e só 4 mil sobreviveram", disse ele ao jornal o Estado de S. Paulo, em janeiro de 2015.
“Como testemunha viva desta tragédia prometi a mim mesmo que se sobrevivesse contaria ao mundo tudo o que vi, e de como um regime igual ao de Hitler pode conduzir o mundo para o abismo. A existência de Israel é a nossa resistência. Com Eretz Israel somos livres, independentes e iguais a todos os povos. Israel é nosso futuro, nossa pátria e nossa segurança”, disse ele na 11ª Marcha da Vida Regional.
Em 2011, Ben Abraham falou a 170 alunos e professores do Colégio Martha Falcão de Manaus. Assista.  Ele também falou a 350 pessoas, entre alunos e professores do Colégio Lato Sensu e da Universidade Federal do Amazonas. Assista.
Em 2013, falou na cerimônia do Iom Hashoá, em São Paulo.
A Conib presta condolências à família e a todos que o tinham como amigo. O enterro acontecerá no próximo domingo, 11 de outubro, às 11h, no Cemitério Israelita do Butantã. Fonte: Conib.

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