Em defesa da Petrobras e da democracia, petroleiros entram em greve

Da FUP – Como em outros momentos da nossa história, o petróleo está novamente no centro do golpe que coloca em xeque o Estado Democrático. O desmonte de direitos e conquistas vai atingir em cheio os trabalhadores, que precisam reagir aos golpistas enquanto ainda há tempo.
A paralisação de 24 horas que os petroleiros realizam nesta sexta-feira, 10, será a retomada das mobilizações da categoria contra a entrega do Pré-Sal e a privatização da Petrobrás, que culminaram na greve de novembro do ano passado.
A venda de ativos será intensificada por Pedro Parente, que chegou avisando que entregará às multinacionais os bilhões de barris de petróleo do Pré-Sal a que a Petrobrás tem direito, conforme garante a legislação que os golpistas querem mudar. No último dia 07, já colocou à venda os terminais de GNL e as térmicas.
O projeto neoliberal que está posto para a Petrobrás através de Pedro Parente é o mesmo que no passado causou perdas históricas à categoria: fim do avanço de nível automático, da dobradinha, do ATS, dos concursos públicos e diversos outros ataques, como a tentativa de acabar com a jornada 14×21 e as diferenciações de direitos entre trabalhadores novos e antigos.
Se os petroleiros não reagirem, a Petrobrás perderá tudo o que conquistou após 2003, quando tornou-se uma empresa integrada de energia e uma gigante do setor. Sem Pré-Sal e sem ativos, qual será o futuro da companhia e dos seus trabalhadores?

Parente monta tropa de choque para privatização
No último dia 06, Pedro Parente anunciou a contratação de Nelson Luiz Costa Silva para o cargo de consultor sênior de Estratégia. Ele terá a missão de “concretizar as metas de gestão traçadas pelo Conselho de Administração, atuando diretamente sobre a execução do planejamento interno e a reparação de eventuais desvios”.
Basta consultar o currículo de Nélson Silva para entender o papel que cumprirá na gestão da Petrobrás, onde será o braço direito de Pedro Parente, a quem é diretamente subordinado. Nas empresas por onde passou, o executivo deixou sua marca registrada: reestruturações, vendas de ativos e privatização.
BG GROUP
Nélson Silva presidiu a multinacional, onde ingressou em 2009 e permaneceu até há o início do ano, quando concluiu o processo de venda da empresa para a Shell. A BG tinha participações estratégicas em consórcios com a Petrobrás para operação de petróleo e gás em áreas do Pré-Sal. Com a compra da multinacional, a Shell tornou-se a principal concorrente da estatal no país, passando a deter 25% do campo de Lula e 20% do campo de Libra, os dois principais ativos do Pré-Sal, além de assumir áreas exploratórias importantes que pertenciam à BP, como 30% de Sapinhoá e participações em Iracema, Iara e Lapa. Na cerimônia de assinatura da fusão, o presidente da Shell, ao lado de Nélson Silva, afirmou que o Brasil será prioridade da empresa e defendeu o fim da exclusividade da Petrobrás na operação do Pré-Sal.
COMGÁS
Nélson Silva foi diretor e presidente da empresa, uma das maiores distribuidoras de gás do país, privatizada em 1999, no governo FHC, quando foi adquirida por um consórcio da BG e da Shell.
VALE DO RIO DOCE
Nélson Silva foi diretor de Marketing e Vendas da Companhia Vale do Rio Doce, onde atuou durante o período em que a empresa foi privatizada, em 1997, no governo FHC, e depois retornou em 2002, onde permaneceu até 2006.
SAMARCO
Nélson Silva integrou o Conselho de Administração da Samarco, mineradora que tem participação da Vale e foi responsável pelo maior acidente ambiental do país, em função do rompimento de duas barragens de rejeitos de minérios. O acidente causou a morte de 19 pessoas e danos irreversíveis ao distrito de Bento Rodrigues, em Mariana (MG) e ao Rio Doce.

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