Patrus anunicia que não sairá candidato em BH

O ex-ministro do Desenvolvimento Agrário do governo Dilma Rousseff, Patrus Ananias, divulgou uma carta neste sábado 16 para responder a "pessoas amigas, queridas, comprometidas" que "defendem mais uma vez a minha candidatura à Prefeitura da nossa capital".
Ele cita a crise política enfrentada atualmente pelo Brasil e afirma que "desta vez é a convocação da pátria que se impõe, não em função de cargos ou projetos pessoais, mas em estar disponível, presente para ajudar o Brasil a construir o que ainda não tivemos, e realizar o projeto de uma nação soberana".
"Estarei junto com meu partido trabalhando nos próximos meses pela eleição de nossos candidatos à Câmara de Vereadores e à Prefeitura de Belo Horizonte", destaca o ex-prefeito da cidade. Leia a íntegra do texto:
Carta às amigas e aos amigos de Belo Horizonte
Belo Horizonte é uma cidade profunda e amorosamente presente em minha vida - nas idas e vindas entre Bocaiúva, onde nasci, e a capital. Em 1972, aprovado no vestibular da Faculdade de Direito da UFMG, me transferi definitivamente para a cidade dos mais belos horizontes.
Aqui vivi os anos de chumbo e participei intensamente das lutas que foram iluminando o caminho da construção do Estado Democrático de Direito; a intensa advocacia trabalhista sempre ao lado dos trabalhadores e seus sindicatos; a construção heróica do Partido dos Trabalhadores.
Em Belo Horizonte constituí a minha família; criamos, Vera e eu, os nossos filhos; vi chegar com os olhos do encantamento os nossos netos; estabeleci profundas relações de amizade.
Vereador, fui o relator da Lei Orgânica de Belo Horizonte, um trabalho inesquecível: construímos democraticamente as normas que disciplinariam o presente e apontariam o caminho do futuro à população da esplêndida e libertária cidade.

Com a Frente BH Popular e o apoio das pessoas comprometidas com a expansão da democracia e com a justiça social, ganhamos as eleições e assumimos a Prefeitura de nossa cidade. Fizemos um trabalho inesquecível; o orçamento participativo; as políticas públicas voltadas para as crianças e adolescentes; os restaurantes populares; os avanços na moralização do transporte coletivo e tantas outras realizações nas áreas da educação, da saúde e da cultura - trabalho reconhecido pela população que seguiu com os nossos sucessores Célio de Castro e Fernando Pimentel.
Em 2002 foi a eleição para deputado federal, quando Belo Horizonte me deu uma votação que guardo comovido, no coração e na memória. No Governo Lula, veio o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, outra experiência para guardar sempre do lado esquerdo do peito!
Em 2012 disputei novamente a Prefeitura atendendo apelos da população e do nosso partido...Fui à luta! Fizemos uma boa campanha, afirmamos valores, princípios e compromissos. A votação foi digna, expressiva. Não ganhamos.
Já em 2014, reeleição à Câmara Federal. Assumi em 2015 o Ministério do Desenvolvimento Agrário. Foi um desafio bom, instigante no pouco e difícil tempo que durou. Aprofundei o diálogo com as organizações e movimentos ligados à terra. Sofremos o golpe!
Retomei o mandato de deputado federal nessa quadra difícil, incerta, desafiadora da vida brasileira.
É neste contexto em que estamos vivendo que pessoas amigas, queridas, comprometidas, defendem mais uma vez a minha candidatura à Prefeitura da nossa capital.
Quando se trata de Belo Horizonte, não deixo por menos: vou fundo em mim mesmo e na busca de uma compreensão mais elaborada da conjuntura em que estamos mergulhados. Pensei, refleti, rezei; ouvi pessoas. Madurei uma conclusão difícil, sofrida, mas verdadeira comigo mesmo e, até onde posso perceber, com a realidade nacional.
A crise que o nosso país atravessa parece-me muito delicada, complexa. Ainda não fomos capazes de bem analisá-la e compreendê-la. Mas tudo indica que teremos uma difícil travessia.
Nesta hora grave da história nacional, reafirmo o meu amor sempre crescente por Belo Horizonte, mas reafirmo, sobretudo, o meu amor pela grande e querida pátria brasileira. O meu coração, neste contexto, sem deixar de acolher a nossa BH, está batendo por todos os recantos do Brasil.
Quero colocar a minha experiência, leituras e reflexões a serviço da pátria quando vejo o seu futuro ameaçado por poderosos interesses econômicos dissociados do projeto nacional. Se o Brasil perder o rumo, os nossos estados e municípios sofrerão de imediato as consequências do desacerto nacional.
Em suma – e aqui peço o carinho e a compreensão de todos: o meu coração e os territórios da minha racionalidade estão me indicando os caminhos mais vastos do Brasil, onde Belo Horizonte se situa como um ponto especial e luminoso.
Desta vez é a convocação da pátria que se impõe, não em função de cargos ou projetos pessoais, mas em estar disponível, presente para ajudar o Brasil a construir o que ainda não tivemos, e realizar o projeto de uma nação soberana, capaz de se defender e se impor no concerto das nações, economicamente forte, socialmente justa e acolhedora, saudável do ponto de vista ambiental, a serviço da sua gente, comprometida e aberta às gerações futuras.
Belo Horizonte, a primeira grande capital que puxou o Brasil para dentro, que abriu caminho para os sertões brasileiros, que tanto me ensinou a amar o Brasil, com certeza não terá ciúmes.
Estarei junto com meu partido trabalhando nos próximos meses pela eleição de nossos candidatos à Câmara de Vereadores e à Prefeitura de Belo Horizonte. E disposto a contribuir também nas lutas dos companheiros e das companheiras que irão às urnas em outros municípios.
Patrus Ananias
Fonte: Brasil 247.

Comentários