Ataque ao MST: o País sob uma ditadura policial

Neste sábado, dia 5, estivemos presentes, junto com mais de mil pessoas, no ato de protesto contra a invasão pela Polícia da Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF) e outros locais, do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) em Guararema (SP), ocorridos no último dia 4.
Poucas semanas depois que dirigentes sindicais denunciaram o vazamento de informações de que a Polícia Federal prepara uma operação contra sindicatos e a Central Única dos Trabalhadores (CUT), o MST – maior organização dos milhões de trabalhadores sem terras e uma das mais importantes dos explorados do País – se viu atacado em vários estados, sob a estapafúrdia acusação de que integrantes dessa organização formam parte de uma organização criminosa, o que mais uma vez ocorre sem provas e com interpretações delituosas de fatos que servem às “convicções” dos golpistas que controlam o aparato repressivo e a Justiça.
Longe de se limitar a um ataque ao próprio MST – que por si só já seria da maior gravidade – a ação emite um novo sinal de alerta, evidencia que sob o golpe de Estado em curso estão em risco todas as organizações de luta dos explorados, todo o movimento operário, popular, da juventude. E se soma a outras enormes arbitrariedades nos últimos dia, como a prisão (inclusive com algemas) e a tortura (com corte de água, luz, uso de som alto etc.) de estudantes menores que lutam contra os ataques do governo golpista, anulação das condenações de policiais do massacre do Carandiru etc. etc. para evidenciar que o País está, cada dia mais, sob o império de uma ditadura policial.
Não pode restar mais dúvidas (para quem as tinha e analisa minimamente os fatos) de que o golpe dado com a derrubada da presidenta da República, Dilma Roussef (PT), foi dado para atacar justamente a organização dos trabalhadores, para quebrar sua resistência, para o que precisam intensificar a repressão, cassar e violar os direitos democráticos mais elementares dos trabalhadores e de todo o povo. Tudo isso para impor um regime que, à serviço dos interesses dos banqueiros e outros tubarões imperialistas, pretende realizar a maior operação rapina da história do País e fazer retroceder como nunca as condições de vida de praticamente todo o povo brasileiro.
Em nota, a direção do MST denunciou a “escalada da repressão contra a luta pela terra, onde predominam os interesses do agronegócio associado a violência do Estado de Exceção” e destacou que operação apresentou como supostos objetivos prender e criminalizar as lideranças dos Acampamentos Dom Tomás Balduíno e Herdeiros da Luta pela Terra, militantes assentados da região central do Paraná, informando ainda que até o momento foram presos seis lideranças e estão a caça de outros trabalhadores, sob diversas acusações.
O caráter mafioso e o cinismo do Estado policial ficam evidentes também nos alvos que serviram de pretexto para o ataque ao MST: as ocupações atacadas pela Polícia estavam curso desde maio de 2014, com aproximadamente 3 mil famílias acampadas em áreas griladas pela empresa Araupel. A Justiça e a Polícia agem para intimidar e reprimir o MST, quando essas áreas foram griladas e por isso declaradas pela Justiça Federal terras públicas, pertencentes à União que devem ser destinadas para a Reforma Agrária.
Também no episódio aparecem as “digitais” da República do Paraná. Segundo esclarece o MST, a empresa Araupel que se constitui em um poderoso império econômico e político, utilizando da grilagem de terras públicas, do uso constante da violência contra trabalhadores rurais e posseiros, muitas vezes atua em conluio com o aparato policial civil e militar, e tendo inclusive financiado campanhas políticas de autoridades públicas, tal como o chefe da Casa Civil do Governo Beto Richa, Valdir Rossoni.
Os tiros – desta feita – disparados para o alto dentro da Escola do MST, não são uma novidade na operação verdadeiramente criminosa contra os sem terra, que cresceu o golpe. No último dia 7 de abril, nas terras griladas pela Araupel, as famílias organizadas no Acampamento Dom Tomas Balduíno foram vítimas de uma emboscada realizada pela Policia Militar e por seguranças contratados pela Araupel. No ataque, onde foram disparados mais de 120 tiros, ocorreu a execução de Vilmar Bordim e Leomar Orback, e inúmeros feridos a bala.
A operação arbitrária da Polícia e da Justiça, se revestem de todo o cinismo de um regime que acoberta o roubo de verdadeiras associações criminosas como as dos banqueiros (que levam quase de 50% dos recursos públicos todos os dias). O Estado Policial persegue e coloca na cadeia sem terras que ocupam terras griladas por monopólios e latifundiários assassinos, mas “perdoa” verdadeiros gangsteres que patrocinaram a fuga de mais de 200 bilhões de dólares do País nos últimos anos, para promover o caos e a derrubada do governo eleito pela maioria do povo.
Os passos acelerados do regime golpista no sentido de uma ditadura, sua repressão contra as organizações operárias e populares e toda sua ofensiva contra as condições de vida de quase 200 milhões de brasileiros não podem ser parados com discursos e, tampouco, com um acordo em torno da realização de novas eleições (“diretas já”), como pregam – inclusive – setores da esquerda.
Para ser vitoriosa, a luta contra o golpe e o Estado policial que ele está impondo – e que a cada dia caminha para o comando da ala mais capacho do imperialismo, o bloco PSDB-DEM e seus aliados –  não pode continuar sendo travada em trincheiras isoladas (nas escolas, nas ocupações, nas greves parciais, nos atos contra PEC’s no Congresso etc. etc.). Esta luta precisa de uma perspectiva de conjunto que supere a política equivocada que parte da idéia de que não dá para lutar contra o golpe e que seria possível apenas lutar contra medidas parciais do governo, ataques específicos etc.
É preciso superar a dispersão e a confusão política impostas pela vitória do impeachment e acentuada com a derrota nas eleições golpistas recolocando como centro de toda a luta as mobilizações de rua contra o golpe, pela sua derrubada, pelo fim da ditadura, para avançar no sentido da unificação dos trabalhadores da cidade e do campo e da juventude, com suas organizações de luta com sua armas próprias, como a greve geral.
Só desta maneira, será possível defender os sem terras e o MST, os estudantes e o ensino público, os aposentados e todos os trabalhadores contra a reforma da Previdência, os servidores e as massas que dependem dos serviços públicos contra o “congelamento dos gastos”, a classe operária e todo o povo brasileiro  contra uma ditadura que – se perdurar – vai levar à liquidação de milhões de empregos, impor fome e miséria e destruir a economia do País.
Às ruas, contra o ataque às organizações dos trabalhadores, contra a prisão do ex-presidente Lula. Abaixo a ditadura. Derrotar o golpe e o Estado Policial.
Fonte: Causa Operária.

Comentários