Barrocal: Golpe derreteu!

Canalhas - e incompetentes
O Conversa Afiada reproduz trecho da reportagem "Beco sem saída", de André Barrocal, publicada na edição desta semana de Carta Capital:
A convite de um amigo, Michel Temer participou na segunda-feira 28 à noite de um seminário sobre o futuro do Brasil em um hotel ao lado da residência oficial. No fim do discurso, comentou: "Nós não temos instituições muito sólidas". E acrescentou: qualquer "fatozinho" consegue abalá-las. Seria a visão de um observador das redondezas ou uma autocrítica? O fato é que seu governo entra no último mês do ano não exatamente sólido. Longe disso. No País, reinam o caos e a incerteza, inclusive sobre o futuro do presidente. Um dos principais argumentos dos defensores do impeachment de Dilma Rousseff, a troca de governo não levou à melhora da economia. Ao contrário. O Produto Interno Bruto derrete e caminha-se para mais recessão em 2017. Na política, Temer tornou-se alvo de pedidos de cassação por causa de sua mal explicada interferência na refrega entre os ex-ministros Geddel Vieira Lima e Marcelo Calero em torno da construção de um prédio residencial em uma área em Salvador tombada pelo patrimônio histórico. A disputa merece agora a atenção da Procuradoria-Geral da República. Não bastasse, o presidente entrou no meio do fogo cruzado entre o Congresso e a Operação Lava Jato, tiroteio que antecedeu a assinatura dos temidos acordos de delação premiada da Odebrecht na quinta-feira 1º.
Acabou? Não! O Brasil adentra em um grave crise social. Entre maio e outubro, 333 mil empregos com carteira assinada foram fechados. Os demitidos engrossaram um contigente de 12 milhões de desempregados. O Bolsa Família, colchão de renda nas camadas mais pobres, excluiu 1,1 milhão de beneficiários em novembro por ordem oficial, na contramão de um debate mundial, segundo reportagem de Carlos Drummon à página 26. O Nordeste vive a pior seca em um século. No Rio de Janeiro, somem remédios dos hospitais, restaurantes populares mantidos pelo governo são fechados, fruto da falta de verba. Cada vez mais, a massa de defensores do impeachment de Dilma olha desconfiada para a atual administração. Na quarta-feira 30, após meses de um silêncio covarde, ouviram-se panelaços nas principais cidades do País. Enquanto isso, cresceu a violência nas repressões a estudantes e movimentos sociais que protestam contra as medidas de austeridade, como se viu no confronto em Brasília no dia anterior.
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