MST denuncia atentado contra acampamento em Goiás

Jornal GGN - O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) afirma que dois vigilantes da Usina Santa Helena, em Goiás, efetuaram disparos contra o acampamento Leonir Orbak na última quarta-feira (4). 
De acordo com o MST, os tiros foram disparados na direção de um grupo de famílias, onde haviam também crianças. Os acampados afirmam que os atiradores fugiram, deixando cair um pente de munição. 
Junto com o Núcleo de Direitos Humanos de Rio Verde e Região, a direção do acampamento foi para a delegacia de Santa Helena realizar um boletim de ocorrência. O MST também afirma que houve descaso com a denúncia e que o delegado da região não de qualquer informação e também não providenciou diligências para conseguir mais provas sobre o ataque. 
O conflito em Santa Helena começou em 2015, quando mais de quatro mil famílias ocuparam áreas que foram arrecadadas pela União junto à usina. O MST critica o Poder Judiciário e o Ministério Público da região afirmando que eles “demonstraram seu total comprometimento com os interesses da usina”. A usina faz parte do Grupo Naoum,  que deve R$ 1,1 bilhão de reais aos trabalhadores e à União.
O MST acusa o poder público de perseguir o movimento, com a prisão de militantes como  Luis Batista Borges, detido em abril e que permanece preso, e José Valdir Misnerovicz, que ficou preso durante 143 dias até ser solto por um habeas corpus concedido pelo STJ. 
Em protesto contra a perseguição e pela desapropriação da usina, famílias sem terra ocuparam a fazenda Ouro Branco em julho. Sua permanência foi garantida por decisão do Tribunal de Justiça de Goiás que suspendeu a reintegração de posse, emitida pelo juiz Thiago Boghi.
O acampamento em Santa Helena homenageia Leonir Orbak, militante do movimento que foi morto em ataque ao Acampamento Dom Tomas Balduíno, no município de Quedas do Iguaçu, no Paraná, em abril. 

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