Movimentos sociais definem calendário de mobilização contra reformas de Temer

Frente Brasil Popular irá às ruas no dias 8, 15 e 31 de março para barrar as reformas trabalhista e da Previdência
por Redação RBA
A Frente Brasil Popular, movimento que reúne mais de 60 entidades, divulgou no último sábado (11) uma agenda nacional de mobilização contra as reformas trabalhistas e da Previdência. Trabalhadores, estudantes e movimentos sociais afirmam que os retrocessos só serão barrados com mobilização nas ruas.
Segundo o dirigente do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) João Pedro Stédile, o calendário começa no dia 8 de março. "Nós vamos somar ao protagonismo das mulheres contra as reformas. Também nos somaremos à greve geral dos professores para aumentar a pressão sobre esse governo ilegítimo", afirmou em entrevista ao repórter Jô Miyagui, da TVT.
Além da manifestação no dia 8, ainda em março os movimentos vão às ruas no dia 15, no "Dia Nacional de Luta Contra a Reforma da Previdência". Outra manifestação está marcada para o dia 31, data do golpe militar em 1964.
A socióloga Adriana Marcolino afirma que, ao contrário do que o governo Temer defende, a Previdência não é a grande vilã do Orçamento. Ela explica que os gastos com a aposentadoria e benefícios representam 7,4% do PIB, enquanto que só com o pagamento de juros da dívida pública são desperdiçados 8,5% do PIB. "O governo coloca a seguridade junto com o orçamento fiscal, então algumas receitas que deveriam constar na previdência não aparecem, por isso há esse suposto rombo."

Os estudantes também estão preocupados com a proposta do governo Temer. Para obter a aposentadoria integral será preciso ter 65 anos de idade e 49 anos de contribuição. Com isso, os jovens terão de pagar a previdência desde os 16 anos, mas nessa idade eles ainda são estudantes. "É uma estratégia para acabar com a aposentadoria pública e fomentar a previdência privada. O interesse privado também está por trás dessa nova reforma", afirma a presidenta da União Nacional dos Estudantes (UNE), Carina Vitral.
"Estamos aprovando um calendário para barrar as reformas. Da maneira em que a reforma da Previdência foi apresentada fica claro que não tem como a gente tentar barganhar alguma melhora, então a intenção é barrá-la nas ruas", acrescenta o coordenador da Central de Movimentos Populares (CMP), Raimundo Bonfim.

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