Reforma da Previdência: “O governo está perdendo a guerra na opinião pública”

Em entrevista coletiva, nesta quinta-feira (16), o líder do PT na Câmara, deputado Carlos Zarattini (PT-SP), disse acreditar que a pressão da sociedade fará a proposta de reforma da Previdência do governo golpista de Michel Temer ser derrotada. Segundo Zarattini, estão aumentando cada vez mais as manifestações de repúdio à PEC 287/2016, que traz as alterações pretendidas pelo governo.
“O governo está perdendo a guerra na opinião pública. A reforma da Previdência, cada dia mais, está sendo rejeitada pela sociedade porque a população está entendendo, cada dia mais, o que eles estão propondo. E isso vai fazer o governo perder a batalha no plenário”, declarou o líder.
Os atos públicos contra as reformas – a previdenciária e a trabalhista – na quarta-feira (15), segundo Zarattini, demonstram que a população não irá aceitar as mudanças apresentadas pelo governo no final do ano passado. “As manifestações aconteceram não apenas nas capitais e grandes cidades, também aconteceram em pequenas cidades, onde as câmaras municipais vêm aprovando moções de repúdio, onde os vereadores vêm expressando publicamente a rejeição a essa reforma”, argumentou o petista.
No caso da reforma trabalhista, Zarattini acredita que não vai demorar para a sociedade se informar a respeito do seu teor, que “implica na perda de direitos” em relação à jornada de trabalho, férias e outros aspectos da legislação. “A população não sabe ainda que as empresas vão ter uma força muito grande para decidir uma série de direitos do trabalhador. São medidas que não podemos concordar e temos que divulgar para a sociedade esse conteúdo”, apontou.
Zarattini também garantiu que a bancada do PT lutará para barrar a aprovação do PL 4302/98, que libera de forma “ampla, geral e irrestrita” a terceirização do trabalho no Brasil e o governo quer votar na próxima semana na Câmara. “É um projeto que estava engavetado desde 1998, portanto, um projeto antigo que não condiz com a realidade, nem os próprios empresários vão ficar felizes, pois é um projeto muito ruim”, criticou.
Reforma política – Diante da retomada do debate sobre a reforma política, que será tema de seminário internacional na próxima semana, o líder petista defendeu o voto em lista fechada. “Nós já defendemos, há bastante tempo, a questão do voto em lista organizada pelo partido político, consequentemente com financiamento público. O que aconteceu foi a falência do financiamento eleitoral por empresas privadas – isso acabou, inclusive, por uma decisão do STF – e agora, para que tenhamos um financiamento público, é necessário que a gente tenha um sistema eleitoral mais barato”, explicou.
“Os custos das últimas eleições, de 2010, 2014, foram astronômicos. Como podemos resolver isso? Com um sistema mais simples que gere menos disputa interna nos partidos. Hoje em dia, se você tem 50 candidatos, você tem 50 campanhas concorrendo entre si, são 50 custos de campanha diferentes. Se a gente tiver uma campanha única por partido, nós vamos reduzir muito os gastos das campanhas e, consequentemente, a despesa do financiamento público”, acrescentou Zarattini.
De acordo com o líder, um segundo benefício do voto em lista é o fortalecimento partidário. “Os partidos vão ter que se organizar melhor, vão ter que ser mais orgânicos e apresentar propostas efetivas à população”, frisou.
“A maioria dos países do mundo vem adotando esse sistema do voto em lista. Nós temos mais de 25 partidos no Congresso e não existe muita diferenciação política entre um e outro. O que nós achamos é que é preciso ter maior identidade política para que o povo possa ter clareza sobre em quem ele está votando”, concluiu o parlamentar paulista.
Rogério Tomaz Jr.
Foto: GustavoBezerra/PTnaCâmara

Comentários

Réu Luiz Inácio disse…
Quem ataca a reforma da previdência não o faz por burrice, mas por conveniência política. Tanto é verdade que estão produzindo factoides para fundamentar suas teses mentirosas. Inclusive citando países capitalistas liberais como Estados Unidos e Inglaterra. O que sempre irão omitir do debate, é que nenhum destes países conseguiu qualquer conquista social seguindo o receituário da extrema-esquerda. O que os embusteiros querem fazer por aqui é vender uma fórmula para obter o sucesso suíço seguindo o mesmo método que levou a Venezuela ao caos bolivariano que irá permitir a consolidação da agenda autoritária.