Solução para crise brasileira é eleição democrática, diz Dilma

Presidenta eleita participou de debate na Universidade de Columbia, onde explicou os motivos do golpe e defendeu as eleições como saída democrática
“Não é possível que a gente ache que a questão da corrupção se concentra na política”, afirmou a presidenta eleita Dilma Rousseff durante o debate Democracia Brasileira: Desafios e Perspectivas, realizado na Universidade de Columbia, em Nova York, nos Estados Unidos, na tarde desta terça-feira (11).
Para a presidenta, a única solução para a crise brasileira serão eleições democráticas. “O Brasil está em um momento delicado. Temos em outubro de 2018 encontro com a democracia”, disse ela. “Esse país tem que ter encontro consigo mesmo, que não pode ser por cima. É fundamental que haja um encontro democrático através do voto popular. Porque se não ocorrer, não conseguiremos diminuir o grau de ruptura que existe hoje no Brasil, que contribuiu para que não consigamos recuperar as condições básicas”.
Dilma explicou que até 2013 se punia o corrompido, mas não o corruptor. Ela ressaltou ainda que não é possível acreditar que os serviços públicos ou privados sejam em si objetos ou mais propensos à corrupção. “Essa é uma visão perigosa porque geralmente leva a achar que a política é algo passível de ser corrompido, que é a política que leva a corrupção. Aí questiono, como haver democracia sem política?”
Ela ainda lembrou que só concorreu a um um cargo, de presidenta da República. “Nunca fui política profissional, mas fiz política a vida toda, desde os 15 anos. Não precisa ter cargo de senador, governado, ou vereador para fazer política”, defendeu a presidenta.
Dilma falou por quase duas horas sobre o processo que culminou no golpe parlamentar que a retirou do Executivo, o projeto neoliberal do governo usurpador e a única saída, que será pela via democrática.
“O que aconteceu no Brasil é que por alguns motivos o golpe estava previsto. Não foi um raio em céu azul, foi planejado. Ele tinha objetivos claros”, afirmou Dilma. “O grande objetivo que articulava a classe política era impedir que as investigações de corrupção em curso atingissem os segmentos que queriam dar o golpe”, explicou ela, relembrando o áudio de uma conversa entre Romero Jucá e Sérgio Machado.
A presidenta eleita acrescentou que “esse motivo, apesar de mobilizar partidos golpistas como PMDB e PSDB, não foi a razão fundamental do golpe”. “O interesse mais forte foi enquadrar o Brasil, econômica, social e geopolítica, ao neoliberalismo”. Ela destacou a privatização, a retirada de direitos sociais e a diminuição do papel do Estado dentro deste projeto.
Dilma defendeu que a democracia foi comprometida pelo golpe parlamentar, que respeitou certos ritos constitucionais, mas ignorou o mais importante: não houve crime de responsabilidade. Ela ainda criticou duramente a política de congelamento dos gastos públicos por meio da PEC do Teto de Gastos, e agora e lei da terceirização, que “retira direitos do trabalhador”.
Segundo a presidenta, o argumento de que o Brasil estaria quebrado foi outra mentira para derrubá-la do poder. “O Brasil esteve quebrado na transição de Fernando Henrique para Lula. Estava quebrado porque devia mais que as reservas que tinha”, lembrou ela, acrescentando que “nós conseguimos com o passar de três anos, pagar o FMI e fazer com que a política macroeconômica fosse decidida pelo país”.
Dilma também avaliou que “os golpistas que falavam que era só me afastar que as coisas melhoravam, se enganaram”. “Eles subestimaram a crise política que criaram”. Ela disse que o argumento das chamadas pedaladas fiscais ainda criou um novo problema, pois tirou a mobilidade do orçamento, dificultando a atuação de qualquer governo.
Da Redação da Agência PT de notícias

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