A mobilização popular com Lula enfrentou uma das engrenagens do golpe

A luta em defesa dos direitos de Lula e contra o Estado de exceção está profundamente conectada com as luta em defesa dos direitos dos trabalhadores
É indiscutível a participação de setores do sistema de justiça no golpe que destituiu a presidenta Dilma e avança contra os direitos, a soberania nacional e as liberdades democráticas no Brasil. Aliás, o envolvimento de parte importante do judiciário, do ministério público e das corporações policiais tem sido uma constante nos golpes de novo tipo desferidos contra os governos populares na América Latina.
Em uma etapa importante da luta em curso no país, o presidente Lula prestou depoimento neste último dia 10 de maio ao juiz de primeira instância Sergio Moro, na cidade de Curitiba.
Dias depois de uma forte greve geral contra as reformas da previdência e trabalhista, movimentos populares e dezenas de milhares de pessoas vindas de todo o país ocuparam as ruas da capital paranaense. Em jogo, a luta contra o Estado de exceção e contra a perseguição jurídica e política ao ex-presidente da república pela chamada operação Lava Jato.
Ao chegar em Curitiba, Lula foi acolhido pelos movimentos populares e levado, bandeira brasileira à mão, até o local do depoimento. Enquanto este transcorria, a Praça Santos Andrade concentrava em um histórico ato político mais de 50 mil pessoas em defesa da democracia e dos direitos de Lula.
A íntegra do depoimento de quase 5 horas de Lula ao juiz de primeira instância fala por si. A despeito da tentativa dos grandes meios de comunicação em editar narrativas e supostas contradições, Lula teve a oportunidade de apresentar sua autodefesa e rebater as acusações que lhe eram feitas com parcos argumentos.
Em mais de uma oportunidade, Lula foi pra cima da imprensa e dos seus acusadores de “power point”. Em vários momentos do seu depoimento, pôde denunciar o linchamento midiático, os ataques à sua família e o vazamento criminoso de informações.
O petista não se furtou em qualificar o processo como “ilegítimo” e “farsa”. Ao caracterizar a “caçada” a que tem sido submetido, apontou ainda o conluio dos que lhe acusam com os delatores, em que a mera menção ao seu nome é a “senha” para que corruptos alcancem a liberdade e vivam como nababos.
A fragilidade das perguntas do juiz de primeira instância e dos procuradores demonstrou a inexistência de quaisquer fatos novos ou provas que envolvessem Lula com a denúncia relativa à propriedade do apartamento triplex no Guarujá e a contratos da OAS com a Petrobras. Documentos apócrifos, perguntas capciosas e ilações conhecidas devem ter frustrado os “apoiadores” da Lava Jato a quem o juiz Sergio Moro dedicou patético vídeo na semana anterior.
Lula ainda teve a oportunidade de enfatizar que o que estava sendo julgado era o projeto político que ele representava e o seu governo. Defendeu a Petrobras, a apuração e punição dos crimes que ocorreram e ainda jogou no colo de Moro e da operação Lava Jato a responsabilidade pela destruição da indústria da construção civil.
Em suas alegações finais, Lula fez uma denúncia dura contra os abusos dos grandes meios de comunicação em tentar criminalizá-lo. Caracterizou a Lava Jato como um processo forjado na imprensa, dando nome aos bois e listando a cobertura desequilibrada da Isto É, Veja, Época, Folha de São Paulo, Estadão, o Globo e do Jornal Nacional, entre outros grandes meios de comunicação.
Ao final do depoimento e acompanhado da presidenta eleita Dilma Rousseff, Lula foi ao ato na Praça Santos Andrade, reafirmou sua pré-candidatura a presidente da república e agradeceu a generosa mobilização popular. Ciente da dura luta que segue, a aguerrida militância também reafirmou compromissos e a centralidade das lutas contra as reformas da previdência e trabalhista nos próximos dias com a ocupação das ruas de Brasília no próximo dia 24 de maio.
A jornada de Curitiba foi parte importante da crescente mobilização que vem desde a luta das mulheres no 8 de março e que culminou com a greve geral de 28 de abril. A luta em defesa dos direitos de Lula e contra o Estado de exceção está profundamente conectada com as luta em defesa dos direitos da classe trabalhadora. É a luta contra o golpe, contra o governo usurpador de Michel Temer e por eleições diretas. Uma luta de todos e todas nós.
Bruno Elias, secretário nacional de movimentos populares do PT

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