Quem ganhou com o “Fora Temer”?

Os comunistas e revolucionários do passado, aqueles que lideraram com maestria grandes revoluções, como Lênin e Trótski, sempre prestaram bastante atenção às palavras de ordem.
Ao contrário da noção, um tanto anarquista, de que os gritos em passeata são apenas uma manifestação de descontentamento e que sua exatidão poderia ser relativizada em prol de considerações de momento, os bolcheviques acreditavam que as palavras de ordem deveriam ser uma síntese de uma política maior, deveriam mobilizar em torno de algo que fosse um ataque frontal aos inimigos da burguesia, e que acima de tudo, mobiliza-se sem margem para confusão.
Esta lição, que não foi assimilada por setores do movimento, ou foi propositalmente esquecida por alguns, faz uma enorme falta neste momento. A palavra de ordem de “Fora Temer!” era confusa desde o início, e agora a burguesia se apropriou dela para fazer a sua política.
Ao fazer dessa a sua palavra de ordem “oficial”, o movimento, que é majoritariamente anti golpista, que repudia tanto Michel Temer quanto todos os golpistas, se mobilizou em torno a um eixo confuso, a derrubada de Michel Temer.
O movimento quer a derrubada de todos os golpistas, não será um outro golpista que acalmará as ruas. Mas se este movimento tivesse colocado, desde o primeiro momento do governo golpista, como seu principal objetivo, de maneira clara, a derrota do golpe e a derrubada de todos os golpistas, a substituição do figura fantasmagórica de Temer por outro golpista estaria quase que inviabilizada.
Como o eixo da mobilização era derrubar Temer, a burguesia, quando foi propício para ela, aproveitou a oposição apenas aparentemente restrita a Temer, mas que se estende a todos os golpistas, para apoiar sua ofensiva fulminante contra o governo, para viabilizar sua substituição por uma figura mais capaz de controlar o Congresso, aprovar as reformas e fazer com que o golpe avance.
Fonte: PCO.

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