Um momento decisivo do golpe

Desde a consumação da derrubada da presidenta Dilma Rousseff pelos golpistas, a situação política passa pelo momento mais crítico. A direita nunca esteve tão acuada. A total impopularidade do governo golpista e ao mesmo tempo o crescimento de Lula nas pesquisas eleitorais, a crise no Congresso Nacional para a aprovação das reformas, a reforma da Previdência passando por cima de toda a opinião popular e a greve geral vitoriosa; tudo isso faz parte de um quadro muito desfavorável para os golpistas. Junta-se a isso tudo a divisão no PMDB e a decisão do STF de libertar José Dirceu, que expressam a crise do ponto de vista interno da burguesia.
O movimento contra o golpe precisa ter claro esse momento e aproveitar para aumentar a ofensiva contra a direita. É preciso acuar ainda mais os golpistas até a sua derrota, mas isso só será possível através de uma mobilização massiva da classe operária, o que ainda não aconteceu, mas se apresenta na situação política como um fator latente.
Nesse sentido, essa etapa crítica da situação é decisiva. A direita logicamente ainda não foi derrotada, principalmente do ponto de vista institucional é ela que ainda detém a iniciativa. Para derrotar a direita de maneira definitiva, é preciso avançar ainda mais, com uma ampla mobilização que levante em primeiro lugar o problema político da luta contra o golpe e apresente um programa amplo de reivindicações políticas, econômicas e democráticas.
O maior perigo para a esquerda nesse momento é ficar apenas na via institucional e na conciliação. Se as mobilizações retrocederem ou mesmo estagnarem a direita pode encontrar espaço para um duro ataque contra o povo. Seria um erro gravíssimo apostar nas eleições ou em expedientes institucionais para derrotar a direita. O momento não permite hesitação na luta, é preciso ir mais adiante.
Se o movimento operário, que ainda está despertando, for derrotado, a balança penderá com mais força para a direita, o que facilmente resultará em uma ditadura contra todo o povo.
Por isso, ir a Curitiba, derrotar a Lava Jato, é um fator essencial na luta política para a derrota dos golpistas. Fonte: Causa Operária.

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