O regime caminha para uma ditadura de fachada democrática

Um dos problemas centrais, desde o primeiro momento, foi uma incompreensão sobre a questão do golpe de Estado. Tanto que o que predomina hoje na imprensa de esquerda e democrática é a expressão “golpe parlamentar”, como se o golpe fosse apenas uma operação para fazer uma eleição fora de hora.
Essa compreensão é profundamente errada do golpe de Estado. Quem apresenta essa ideia é o setor que acha que não houve golpe de Estado, pois não houve mudança de regime, uma política típica do PSTU. É uma falsificação, pois, se houve uma mudança foi do regime político.
A liquidação da CLT, por exemplo, é uma mudança que retrocede até a década de 30, uma profunda mudança das relações entre os trabalhadores e o Estado, uma mudança abrupta, e é o desmantelamento do que foi o início do estado social.
Todos os ataques, na verdade, implicam na mudança do regime. E agora, o próximo passo, preparado com muito cuidado pelos golpistas, é a mudança mais profunda do regime político-eleitoral.
O Congresso Nacional quer criar uma ditadura, com uma roupagem de tipo parlamentar. Se o PSDB ganhar as eleições, como eles mesmos anunciaram, vão implantar o parlamentarismo. O que quer dizer o seguinte: se por um acaso a esquerda ganhar, o PSDB vai dar um golpe, como fizeram com João Goulart.
Ou seja, o regime está caminhando para uma ditadura de fachada democrática. O conjunto de modificação das leis faz parte da mudança do regime. Estão em processo de mudança não só as leis trabalhistas, mas as leis penais, civis e a própria Constituição Federal.
Aumentaram os desempregados, empresas faliram, aumentou a quantidade de presos nas cadeias; também aumentou a morte dos trabalhadores do campo, dentre outros fatores, esses são os primeiros resultados da mudança de regime.
Por outro lado, com o que acontece no Rio de Janeiro, já está sendo testada a intervenção do Exército, caso haja reação ao golpe de Estado, ou qualquer outra reação. A fachada democrática, ela mesma, pode durar só enquanto os donos do golpe acharem necessária.  Fonte: Causa Operária.

Comentários