Propaganda contra os políticos e o parlamento é propaganda fascista, a favor do golpe militar

A atual disputa entre os dois blocos golpistas da burguesia, ou seja, os setores mais pró-imperialistas e os setores ligados a burguesia regional, leva a um aprofundamento da crise do golpe de Estado no país.
Diante da dificuldade dos setores mais pró-imperialistas de imporem a política de terra arrasada, a qual consiste no fim de todos os direitos da população, como a aposentadoria, os direitos trabalhistas, saúde e a educação, o golpe tende a caminhar para uma polarização cada vez maior. No caso da direita, para uma saída de força mais agressiva. Nesse sentido, crescem e ganham força os movimentos de extrema direita, bem como toda a campanha ideológica das alas mais fascistas da burguesia.
Uma dessas campanhas, por exemplo, é o ataque aos políticos de um modo geral, ao parlamento como um todo. É o aprofundamento da velha campanha utilizada pela direita, a chamada “luta contra a corrupção”, agora com o viés muito mais agressivo. Com o apoio da imprensa burguesa, os setores mais golpistas da burguesia procuram propagar a ideia de que o “mal” do país são os políticos, utilizam as denúncias, a grande maioria sem qualquer prova, do judiciário, para tentar convencer o povo de que o parlamento é o grande câncer do país, que a crise econômica e social é culpa única e exclusivamente dos políticos, esses devem ser punidos de qualquer forma.
Até mesmo antigos aliados dos golpistas viram alvo, como é o caso do senador tucano Aécio Neves. Na intenção de garantir que os interesses de um punhado de banqueiros e empresários estrangeiros sejam garantidos, os golpistas não medem esforço e se utilizam de todos os meios necessários para impor sua política, mesmo que tenham que passar por cima de “amigos” de longa data.
É preciso deixar claro, primeiramente, que essa propaganda contra os políticos é uma propaganda de cárater fascista. Ela tem objetivo de preparar o terreno para que os setores mais direitistas, como os militares, por exemplo, tomem conta do poder político.
Na Itália fascista e na Alemanha nazista os principais inimigos “do povo” eram os políticos parlamentares. A crise do regime político burguês é resultado da ação revolucionária das massas. O fascismo manipula essa crise para fazer demagogia contra os partidos, parlamentares e políticos e usar de acordo com os interesses das poderosas corporações capitalistas
Em síntese, no atual momento político do país, é uma campanha à favor do golpe militar. A lógica é simples, se nem um político presta, cabe aos “íntegros” militares resolverem o problema. A armadilha, no entanto, é que se os políticos são corruptos, os militares são mais ainda, e, no final das contas, não vão resolver problema algum.
As declarações dos generais do alto comando do exército já deixaram claro o que pensa esse setor sobre a sociedade brasileira. O que eles realmente querem é impor, por meio da força, o programa do imperialismo, privatização das riquezas do país, como a Amazônia e repressão contra o povo pobre, negro, considerado “inferior”, como bem afirmou em alto e bom som o secretário de finanças do exército, o general Hamilton Mourão.
A esquerda-pequeno burguesa, que não analisa a realidade a partir da luta de classes, acaba jogando água no moinho da extrema direita quando embarca na “luta contra a corrupção”. Demonstrações desse fato não faltam, desde o PSTU que até hoje acredita, assim como a Rede Globo, que o PT é o maior símbolo de corrupção do país até o PSOL, de Luciana Genro, que defende, junto com grupos fascistas, como o MBL, o aprofundamento da golpista Operação Lava Jato. “É preciso prender todos os corruptos custe o que custar”, grita a esquerda-pequeno burguesa, o que soa como música aos ouvidos dos militares e dos fascistas.
Nesse sentido é preciso primeiramente denunciar essa campanha contra os políticos feita pela direita, pelos seus setores mais direitistas. Não passa de uma artimanha para abrir caminho para a repressão aberta contra as liberdades do povo. Em segundo é necessário denunciar também o papel de cúmplice feito pela esquerda-pequena burguesa ao defender mais cadeia, mais repressão, a prisão de todos os políticos corruptos.
O problema não é a corrupção, é a luta de classes. O único setor que pode resolver a crise é a classe trabalhadora organizada. A derrota do golpe por meio da força popular é a única saída progressista para a atual crise política do país. Para tanto, é necessário organizar em cada cidade, bairro, local de trabalho, universidades e escolas os comitês de luta contra o golpe. Fonte: Causa Operária.

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