Ó padroeiro, abençoai a Tuiuti

Será que meu coração resistirá à Tuiuti e à Beija Flor?
por Cesar Locatelli - Jornalistas Livres.
Meu Deus! Meu Deus!
Se eu chorar não leve a mal
Pela luz do candeeiro
Liberte o cativeiro social
Não sou escravo de nenhum senhor
Meu Paraíso é meu bastião
Meu Tuiuti o quilombo da favela
É sentinela da libertação
(Tuiuti 2018)
Respondendo a “quem não gosta de samba, bom sujeito não é”, acho que sou bom sujeito. Gosto de samba. Muito! O ritmo se mistura com os batimentos do coração. O tummm dos surdos faz tremer as carnes todas, dos braços às pernas, dos pelos ao peito. Nem sempre suas letras estão à altura da alegria, do axé de seu ritmo, acho eu e relevo. Tamborins, pandeiros, cuícas, ganzás e agogôs escondem letras, às vezes, medíocres, machistas, racistas. Relevo, não sei bem por quê. Talvez tenha sido inoculado por uma alegria estrangeira aos sangues europeus que por aqui aportaram.
Cada tum, tá, tum, tá faz vibrar cada celulinha. O surdão é meu instrumento de raiz. Entro em alfa, sei lá, tocando ou ouvindo.
Mas de repente, quando tem uma letra junto, ai meu Deus, que fala da injustiça, da luta de todos nós por uma sociedade mais humana, mais justa, mais unida, a emoção vai aos céus. As lágrimas vertem de alegria. Alegria de saber que não estou só na busca da liberdade de todos, na busca da igualdade. Na alegria de um samba, na vadiagem de um samba nos sabemos iguais.
Assim foi com o samba da Beija-Flor de 1989. A igreja resolveu proibir o Cristo Redentor no mesmo carro com o lixo da pobreza. Foram à Justiça (essa mesma)! O Cristo teve de sair coberto por sacos plásticos (a lei é para todos, não é?). E esse samba da Beija-Flor e sua rebeldia não mais me deixaram.
Sai do lixo a nobreza
Euforia que consome
Se ficar o rato pega
Se cair urubu come
(Beija-Flor 1989)

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