CARTAS A LULA

Caro Presidente Lula:
É com emoção que recordo das conversas que tivemos durante a “Caravana Lula pelo Brasil” e em outros momentos que antecederam ao cárcere político que lhe foi imputado por representar a possibilidade de retomada dos avanços democráticos no País. Lembro suas declarações, tão marcantes, sobre uma vida pobre na infância e na juventude, sobre as alegrias e lutas como operário e líder sindical e, principalmente, sobre os ensinamentos de quem aprendeu desde cedo a batalhar por dignidade e justiça social.
Ouvi, por diversas vezes, suas reflexões sobre o contexto político e social do Brasil e é impressionante como suas análises estão profundamente vinculadas à memória coletiva de milhões de brasileiros e brasileiras, historicamente excluídos (as). Por isso, a força de suas ideias que se alastram e não se deixam aprisionar. São ideias capazes de romper as barreiras da indiferença, da intolerância e do ódio e dar lugar à esperança de seguir em frente.
Importante avaliar o significado da sua liderança política. Hoje, o Brasil e o mundo compreendem que a injustiça que sofres nessa pequena cela em Curitiba reflete a ira de indivíduos e instituições que perderam os escrúpulos em razão de interesses obscuros contrários à democracia e à soberania nacional. Por óbvio, seus algozes são representantes de camadas que buscam privilégios, que são contrários aos direitos trabalhistas, que se opõem aos direitos sociais e às liberdades democráticas, tão incômodas aos interesses neoliberais. Por isso, a luta que travamos pela sua liberdade é também a luta de libertação de um País dominado por forças reacionárias da extrema direita que adotam mecanismos imorais e ilegais para impedir a sua candidatura e a realização de eleições livres em 2018.
Nessa conjuntura, a “fascistização” da política é a fórmula usada para tentar deter a sua colocação disparada em primeiro lugar nas pesquisas para presidente. As campanhas de difamação, as injúrias, os atentados armados contra a vigília democrática em Curitiba, os recursos de pressão psicológica como o impedimento de visitas às dependências da Polícia Federal, onde o Senhor se encontra, são atos de repressão e violência que crescem à medida que não obtêm apoio à condenação sem provas e não conseguem remover sua posição na disputa eleitoral que se aproxima.
Escrevo isso para lhe dizer que a nossa situação é de luta política intensa nestes 30 dias de resistência. A direita sofre fraturas com a própria incapacidade de responder aos desmandos, abusos e toda corrupção que a cerca, e nesse fosso cresce o cinismo e a arbitrariedade simbolizada na relação criminosa entre a Rede Globo e a Lava Jato. No campo da esquerda, buscamos construir a unidade para remover as forças golpistas e antidemocráticas que visam o extermínio das conquistas históricas de trabalhadores e trabalhadoras e temos como ponto de partida para essa unidade o reconhecimento da sua prisão política e a própria existência de um processo eleitoral democrático que assegure o direito a sua candidatura.
Eu sigo aqui, irmanado a milhões de lutadoras e lutadores sociais que pelas ruas, vigílias, atos, caravanas e manifestações pelo Brasil e no mundo afora erguem suas vozes em solidariedade e reconhecimento a tudo que representas e simboliza para a população pobre e excluída deste País e para todos que lutam por justiça e igualdade.
Saiba que a cada dia renovo este compromisso com sua defesa, que em síntese é a defesa da democracia e do povo brasileiro.
Um abraço fraterno do seu amigo e companheiro,
Deputado Federal Paulo Lula Pimenta
Líder da Bancada do PT na Câmara dos Deputados
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