'Demissão de Parente é um golpe no golpe', diz coordenador da FUP

José Maria Rangel lembra que, indicado pelo PSDB, ex-presidente da Petrobras 'tem relação umbilical com o setor que quer entregar a Petrobras'. Para deputadas Maria do Rosário e Jandira Feghali, políticas da estatal que punem o povo têm que acabar
por Eduardo Maretti, da RBA
“O pedido de demissão de Pedro Parente é um duro golpe no golpe. Ele foi indicado pelo PSDB, que tem uma relação umbilical com o setor que quer entregar o patrimônio público da Petrobras. Foi o PSDB que criou toda aquela onda de privatizações.” A opinião é do coordenador da Federação Única dos Petroleiros (FUP), José Maria Rangel, sobre a queda do agora ex-presidente da Petrobras.
Embora concorde com a avaliação de que “nada vai mudar” se continuar a política implementada por Parente na estatal, como os preços dos derivados de petróleo ancorados no mercado internacional, o dirigente considera a demissão significativa. “Não tem muita gente que tenha as bênçãos do mercado financeiro para levar adiante todo esse entreguismo que estava sendo tocado na Petrobras”, disse à RBA.
Parente afirmou em sua carta de demissão que “os resultados obtidos revelam o acerto do conjunto das medidas que adotamos, que vão muito além da política de preços”. Segundo ele, “a Petrobras é hoje uma empresa com reputação recuperada”.
Para Rangel, “a greve dos verdadeiros caminhoneiros foi um convite para ele sair, porque desnudou a política de preços dos derivados”. O coordenador da FUP destaca que mesmo prejudicada em seu trabalho, e apesar do massacre midiático, 87% da população brasileira apoiou a greve. “Eles conseguiram levantar o tema, e nós da FUP conseguimos qualificar esse debate e demonstrar com números e com exemplos o quanto essa política foi nociva para o povo brasileiro. O Pedro Parente sentiu o baque e pediu pra sair.”
Porém, o dirigente alerta: “Temos que continuar na ofensiva, não podemos descansar. Agora só falta o ilegítimo (o presidente Michel Temer) cair, e vamos continuar trabalhando pra isso”.
Em vídeos postados no Facebook, as deputadas federais Maria do Rosário (PT-RS) e Jandira Feghali (PCdoB) comentaram a queda de Parente. “A demissão foi uma vitória do povo brasileiro, mas isso não quer dizer que vai mudar a política de preços da Petrobras. Essa é a pressão que deve se seguir”, enfatizou Jandira.
Ela anunciou uma ação popular a ser ajuizada na semana que vem contra a política de preços dos derivados de petróleo. “O presidente Temer está na lona. Sem autoridade, sem competência. Para acabar com a greve, ele prometeu uma isenção de tributos que vai recair sobre as costas do povo brasileiro.”
Para Maria do Rosário, “Pedro Parente é uma figura conhecida do governo Fernando Henrique Cardoso como responsável pelo apagão das elétricas. Agora vai para história mais uma vez, como num daqueles filmes de terror antigo, e volta para nos colocar no apagão de combustíveis”, afirmou a petista.
Jandira lembrou que, em sua carta de renúncia, Parente afirmou ter cumprido sua missão. “Me sinto autorizado a dizer que o que prometi, foi entregue”, escreveu Parente na carta. “De fato, ele entregou o Petróleo ao capital internacional. Esse cidadão fez da Petrobras uma agência a serviço das empresas americanas e estrangeiras, que vendiam ao preço do dólar os produtos extraídos no Brasil.”
Para a comunista, a demissão não significa que o governo mudará a sua política. “É a fragilização dessa política, mas ainda não é a mudança.”
Parente disse ainda que a greve dos caminhoneiros e suas consequências “desencadearam um intenso e por vezes emocional debate” e defendeu sua política de preços dos combustíveis. “Poucos conseguem enxergar que ela reflete choques que alcançaram a economia global, com seus efeitos no país”, declarou o tucano.
Maria do Rosário também ressaltou que o fim de Parente no comando da estatal deve ser seguido de uma mudança na condução da Petrobras e do setor, ao invés de se cortar mais ainda das políticas sociais, como resolveu o governo Temer. Ela propõe a redução da margem de lucro sobre diesel, gasolina e gás, ao invés de se reduzirem os gastos sociais. Segundo consultoria da Câmara dos Deputados citada pela parlamentar, a margem de lucro é de cerca de 150%.
“Quem paga a conta é o povo brasileiro. Pedro Parente pediu demissão depois de aumentar a gasolina mais uma vez. A gasolina não baixou de preço, o preço do gás de cozinha continua absurdo e além disso a população segue pagando o desmonte da educação, saúde e direitos fundamentais”, disse a petista.
Para Jandira, a crise dos combustíveis e a queda de Parente podem ter servido a um fim didático. "Acho que agora caiu a ficha do povo brasileiro. Não é possível que as pessoas não entendam o que foi e para quê esse golpe." #LulaLivre

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